Autoria: William Douglas e Francisco Dirceu Barros
O telefone tocou. Era um ex-aluno que queria esclarecer algumas dúvidas. Uma imensa alegria contagiou meu coração, pois sempre tive grande prazer em reencontrar meus colegas de aprendizagem. O ex-aluno era um desses que o Professor sabe que será um grande vencedor, inteligente, dedicado, persistente, humilde e o principal, sabia o que queria.
Lembro-me que no 5º semestre "ele" me disse que iria ser Delegado de Polícia, queria um edital e que eu o orientasse como deveria ser sua estratégia de estudos.
No intervalo das aulas lá vinha "ele" com suas perguntas geniais, com as quais eu ensinava e aprendia. Era um aluno espetacular, que se comportava com muita dignidade e tinha, ainda quando estudante, uma visão muito boa do papel social que o Profissional de Direito tem que desenvolver na sociedade.
Eu sempre pensava que era da honestidade e dignidade e de seu idealismo que precisávamos para o fortalecimento da justiça. Tive conhecimento de suas dificuldades: "ele" era muito pobre, trabalhava muito, quase não conseguia conciliar "aula/trabalho" e sempre chegava atrasado nas minhas aulas. Eu, ajudava-o como podia, colocando suas presenças, doando vários livros, etc.
Após o término da faculdade, não tive mais notícias "dele", até que o telefone tocou, e logo minha alegria se transformou em tristeza.